O indivíduo e a História - Paulo Cosiuc

“O que apelidamos grande homem é sempre alguém que tem a ventura de transfigurar
a fraqueza individual, compondo-a com forças infinitas da Humanidade”
Euclides da Cunha
Cada indivíduo possui suas características próprias que o distinguem do outro. Como pessoa, pensa, vive integrado a uma família e à sociedade, está sujeito a um governo (embora nem sempre participe de sua escolha) e está sujeito às leis. Para sobreviver executa um trabalho (embora alguns vivam da exploração do trabalho alheio) e, segundo a sua situação econômica, engaja-se em um determinado grupo social. Enfim, cada indivíduo luta pelos seus próprios fins, pela sua existência e pela existência dos que lhe são próximos, constrói sua própria história.

Ao mesmo tempo ocorre um movimento conjunto, resultado da ação de todos os homens, que denominamos de história do gênero humano. Portanto, a história não é estática, mas é um processo dinâmico, dialético, em que as contradições geradas pela luta entre as classes sociais conduzem às grandes transformações da sociedade. Nesse sentido, podemos afirmar que na história não há o acaso e que todas as transformações são fruto da ação dos homens e não de alguns homens apenas, os “grandes homens”, os “heróis”. Acreditar que só os “grandes homens” transformam a estrutura da sociedade e fazem a história é negar a própria história.

De um modo geral temos a tendência ao comodismo. Esperamos que apareçam os “grandes homens”, os “heróis” que façam o que precisa ser feito e esquecemos que a história é um processo do qual participamos, quer queiramos ou não. Refugiar-se na neutralidade é uma atitude covarde e, em si, já é uma opção. Demonstra medo de enfrentar as “forças de permanência”, isto é, aqueles que, enquanto se agarram aos privilégios econômicos e políticos, pretendem manter, a qualquer custo, o seu poder de decisão, não hesitando em desumanizar, oprimir e violentar a grande maioria, reduzindo-a à condição de objeto.
O grande desafio que a história coloca diante de nós é a luta contra as forças de permanência que pretendem deter as forças de transformação.
Paulo Cosiuc - Professor de história - Escola Comunitária, Campinas

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