Postagens

Mostrando postagens de Março, 2014

Acerca dos "rolezinhos" - opiniões

Imagem
Os recentes “rolezinhos” em shopping centers de São Paulo, em que adolescentes se
encontram para passear e paquerar, depois de combinar tudo pelas redes sociais, têm causado medo em lojistas e chamado a atenção da sociedade. Especialistas ouvidos pelo G1 divergem sobre as causas e efeitos desse fenômeno, mas de uma maneira geral concordam que a falta de espaços públicos de lazer na periferia propiciaram esses encontros. "Tem gente olhando para o 'rolezinho' como uma manifestação politica. Eu acho isso uma bobagem. Inicialmente é manifestação social e cultural de setores populares que acaba ocupando espaço de setores médios, e infelizmente criam um mal-estar. Você tem uma sociedade partida, de ricos e pobres que vivem em nichos. O 'rolezinho' desmascarou todo o problema social do país, a divisão social e diferença estética entre pobres e ricos. No Rio de Janeiro isso vai se dar na praia. E a praia de São Paulo infelizmente é o shopping. O poder público chama a políci…

Shopping Centers, o LSD da classe média

Imagem
Todo mundo deveria fazer pelo menos uma vez uma viagem pelo maravilhoso mundo aparente do Shopping Center Norte, na Marginal do Tietê, em São Paulo. Trata-se do correlato (sancionado, socializado, gratuito) da “viagem” por meio do LSD dos jovens intelectuais da década de 60.As visõesparadisíacas, o distanciamento da realidade, a contemplação do mundo do consumo são oferecidos por este espaço laboriosamente construído, onde o mundo real não entra.             Ao atravessarmos a porta de ingresso no local, a impressão que se deseja transferir é a do adentrar-se em um mundo puro. Puro de misérias, da  pobreza, dos pedintes, dos assaltos e da violência de lá fora; é também puro da sujeira e do excesso de “brasilidade” de nossas cidades, excesso de tristeza, de decepções, de frustrações e de aborrecimentos. Nesta viagem imaginária, deixa-se o mundo brutalizado do lado de fora.             Aí se reproduz o “mundo” mas não exatamente o mundo como ele é, mas o mundo como as pessoas gostariam de…

Pensamentos numa praça de Shopping

Imagem
Antigamente, ia-se à cidade. "Ir à cidade" significava ir ao centro. Ali era o lugar onde se praticavam os atos corriqueiros da vida urbana: fazer compras, resolver problemas numa repartição, ir ao cinema. Os cinemas do centro eram um assombro de luxo e riqueza, competindo entre si em escadarias monumentais e colunatas _ a versão século XX (em sua primeira metade) dos templos numa acrópole grega. Marrocos, Ipiranga, Marabá, Olido, os nomes dos cinemas no centro de São Paulo eram palavrinhas que evocavam fausto e fantasia. Era no tempo que os pobres não existiam, ou, pelo menos, não eram visíveis.
Hoje se vai ao shopping center. O shopping não é só um centro de compras, como se sabe. Mais que isso, cumpre o papel de variante atualizada, sintetizada, depurada, edulcorada e climatizada do centro da cidade. O shopping herdou todas as funções do centro, ou quase. Nele só não há repartição pública e _ por enquanto _ não se mora, como até se podia fazer no centro. Os jovens vão ao …