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Mostrando postagens de Janeiro, 2014

Cartas de Amor - Rubem Alves

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Leio e releio o poema de Álvaro de Campos. Oscilo. Não sei se devo acreditar ou duvidar. Se acredito, duvido. Duvido porque acredito. Pois foi ele mesmo quem disse – ou melhor, o seu outro, o Fernando Pessoa – que ele era um fingidor. "Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas..."
Tenho no meu escritório a reprodução de uma das telas mais delicadas que conheço, Mulher lendo uma carta, de Johannes Vermeer (1632-1675). Uma mulher, de pé, lê uma carta. O seu rosto está iluminado pela luz da janela. Seus olhos lêem o que está escrito naquela folha de papel que suas mãos seguram, a boca ligeiramente entreaberta, quase num sorriso. De tão absorta, ela nem se dá conta da cadeira, ao seu lado. Lê de pé. Penso ser capaz de reconstituir os momentos que antecedem este que o pintor fixou. Pancadas na porta interromperam as rotinas domésticas que a ocupavam. Ela vai abrir e lá estava o carteiro, com uma carta na mão. Pela simples leitura do …

Obrigado por fumar!

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Editorial da "Folha de São Paulo", transcrito abaixo, Hélio Schwartsman comenta um fato que vai dar o que falar e que tem tudo a ver com o que é discutido no filme "Obrigado por fumar". Cigarros Gernéricos -  "Por mais libertários que sejamos, não me parece moralmente aceitável estimular as pessoas a adotarem comportamentos de risco."
SÃO PAULO - Merece apoio a proposta da Anvisa de que cigarros sejam vendidos em embalagens genéricas, dos quais conste só o nome do produto e o fabricante --além, é claro, dos já tradicionais alertas do Ministério da Saúde--, sem espaço para cores e outros elementos gráficos que possam caracterizar-se como mensagens publicitárias.

Calma, não me converti à causa dos que acham que, no embate entre saúde e liberdades individuais, a primeira deve sempre prevalecer. Continuo defendendo a legalização das drogas e da eutanásia, mesmo reconhecendo que utilizá-las não é a coisa mais saudável que você pode fazer.

O ponto é que a vida não s…

O avião que caiu centenas de vezes

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de EUGÊNIO BUCCI
No mundo real, de aço, tijolo e gente, o avião da TAM caiu uma vez só. Foi em São Paulo, bem perto do Aeroporto de Congonhas. Mas na televisão, pelas telas do Brasil inteiro, o mesmo avião se destroçou centenas de vezes. Reconstituições animadas, chamas em câmara lenta, tudo se fez para prolongar o horror. Por que é que tem de ser assim?

Existe a resposta cínica: É notícia, um desastre com tais proporções merece todo o destaque nos meios de comunicação. Sem cinismo, a resposta não seria tão fácil. Que é notícia ninguém há de negar. Que os cidadãos devem ser informados sobre cada detalhe, também não se contesta. Mas o festival ininterrupto que perpetua o desastre na televisão não tem nada a ver com informação ou notícia. É show. Soa mórbido, mas é isso mesmo: como o desfile das escolas de samba ou as Olimpíadas, as catástrofes se convertem em show de TV, com a diferença de que o Carnaval e as Olimpíadas são shows um pouco menos apelativos.

A TV tem na informação jornalíst…