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Mostrando postagens de 2014

Tempo, tempo, tempo *

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. 
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.

Para você, desejo o sonho realizado. O amor esperado. 
A esperança renovada. 
 
Para você, desejo todas as cores desta vida. Todas as alegrias que puder sorrir, todas as músicas que puder emocionar. 


Para você neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices, que sua família esteja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas. Mas nada seria suficiente para repassar o que realmente desejo a você. Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos. Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto, rumo à sua felicidade!” 
 


* Poema atribuído a C…

A COTOVIA E OS SAPOS - fábula

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Era uma vez uma sociedade de sapos que viviam no fundo de um poço profundo e escuro, do qual absolutamente nada se via no mundo. Eram governados por um enorme Sapo-Chefe, um valentão que afirmava, sob pretextos um tanto dúbios, ser o dono do poço e de tudo quanto nele saltava ou rastejava. O Sapo-Chefe jamais movia uma palha para se alimentar ou se manter, vivendo da labuta de diversos sapos-trabalhadores com os quais ele compartilhava o poço. Estes - pobres criaturas! - passavam todas as horas de seus dias escuros e muitas de suas noites tenebrosas a se matar na umidade e no lodo para encontrar os vermes e insetos que engordavam o Sapo-Chefe.            Ora, de vez em quando uma cotovia excêntrica voava para dentro do poço (sabe Deus por quê!) e contava para os sapos todas as coisas maravilhosas que vira em suas viagens pelo imenso mundo lá fora. Falava do sol, da lua e das estrelas, das montanhas altaneiras, dos vales férteis e dos vastos mares procelosos, e ainda da delícia de ex…

Em que mundo você vive? - Matheus Pichonelli

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Mais do que o resultado da eleição, chama a atenção, nestes dias seguintes à abertura das urnas, o raciocínio rabiscado por parte dos eleitores para justificar a decisão do voto.     São muitos os que se dizem insatisfeitos com o rumo do mundo. E que atribuem aos políticos de diferentes matizes, sobretudo vermelhos, a culpa pelo estado das coisas: da ignorância da nação, pela qual constroem suas edificações maléficas, ao entrave aos nossos sucessos particulares. “Eu não tenho casa na praia ou carro do ano, mas só porque, em algum gabinete de Brasília, alguém decidiu pegar o que era meu por direito e investir naquele povinho que nunca estudou, nunca quis trabalhar e não tem outra ambição na vida a não ser botar filho no mundo e pendurar a conta nas costas do Estado.” 

            Pode parecer incrível, mas é mais ou menos isso o que se ouve nas rodas de conversa em tempos de eleição acirrada como tem sido esta. Uns indignados até têm carro do ano e casa na praia. Outros acabam de voltar…

Idiota à Brasileira - Adriano Silva

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Ele não faz trabalhos domésticos. Não tem gosto nem respeito por trabalhos manuais. Se puder, atrapalha quem pega no pesado. Trata-se de uma tradição lusitana, ibérica, reproduzida aqui na colônia desde os tempos em que os negros carregavam em barris, nos ombros, a toilete dos seus proprietários, e eram chamados de "tigres" - porque os excrementos lhes caíam sobre as costas, formando listras.  O Perfeito Idiota Brasileiro, ou PIB, também não ajuda em casa. Influência da mamãe, que nunca deixou que ele participasse das tarefas - nem mesmo pôr ou tirar uma mesa, nem mesmo arrumar a própria cama. Ele atira suas coisas pela casa, no chão, em qualquer lugar, e as deixa lá, pelo caminho. Não é com ele. Ele foi criado irresponsável e inconsequente. É o tipo de cara que pede um copo d'água deitado no sofá. E não faz nenhuma questão de mudar.  O PIB é especialista em não fazer, em fazer de conta, em empurrar com a barriga, em se fazer de morto. Ele sabe que alguém fará por ele. Ent…

O paciente índio e os monstros da classe média - Marilene Felinto

Se fosse filme e o paciente -o índio pataxó hã-hã-hãe Galdino Jesus dos Santos- fosse inglês, a guerra seria outra, glamourizada pela ficção, uma guerra mundial, igualmente sem sentido, mas de que o cinema ainda retira largos exemplos de solidariedade.
O filme mais premiado pela academia dos Oscars este ano foi "O Paciente Inglês", notório caso de solidariedade de uma enfermeira que abandona tudo para cuidar de um suposto soldado desconhecido, queimado dos pés à cabeça num acidente de guerra.

Mas o paciente índio que morreu na madrugada da última segunda-feira, queimado vivo por cinco rapazes de Brasília, é apenas crua realidade, de uma guerra bem nossa e atual: a guerra da imolação dos pobres. Galdino não foi queimado por ser índio ou negro, mas porque seria "mendigo". Seus assassinos são tão inconscientes que não distinguiriam um índio de um japonês.

Seus assassinos são apenas "coisas", que também o "coisificaram". Os cinco rapazes são exatamente…

A "não-casa" e o "não-ônibus" - Marilene Felinto

A periferia sabe que não faz parte do tecido urbano. Odeia a cidade, que só não a odeia com igual intensidade porque não a conhece de perto. Tudo na periferia é não: a arquitetura da invasão constrói a "não-casa", o perueiro dirige o "não-ônibus". "Perueiro até os ossos", diz o adesivo da perua clandestina que circula pela hoje inadministrável cidade de São Paulo.

A violência dessa categoria de motoristas, os perueiros, a virulência com que eles reagem às investidas de legalização, incendiando ônibus, ameaçando, dirigindo criminosamente, espanta.

"Perueiro até os ossos": como interpretar essa frase senão como uma mensagem de que o motorista está disposto a matar ou morrer? A revolta dos perueiros expressa o ódio represado durante todo um século por uma população expulsa dos confortos do urbanismo, vítima da exclusão social e espacial.

Desde os tempos da chamada Revolta da Vacina (1904), os historiadores e sociólogos alertam o poder público para …

AS RAÍZES DO RACISMO Drauzio Varella

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ARTIGO Somos seres tribais que dividem o mundo em dois grupos: “o nosso” e o “deles”. Esse é o início de um artigo sobre racismo publicado na revista Science, como parte de uma seção sobre conflitos humanos, leitura que recomendo a todos. Tensões e suspeições intergrupais são responsáveis pela violência entre muçulmanos e hindus, católicos e protestantes, palestinos e judeus, brancos e negros, heterossexuais e homossexuais, corintianos e palmeirenses. Num experimento clássico dos anos 1950, psicólogos americanos levaram para um acampamento, adolescentes que não se conheciam. Ao descer do ônibus, cada participante recebeu aleatoriamente uma camiseta de cor azul ou vermelha. A partir desse momento, azuis e vermelhos faziam refeições em horários diferentes, dormiam em alojamentos separados e formavam equipes adversárias em todas as brincadeiras e práticas esportivas. A observação precisou ser interrompida antes da data prevista, por causa da violência na disputa de jogos e das brigas que irro…

LYA LUFT: Medo e preconceito

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5/09/2014  às 15:00 \ Tema Livre
“Que medo é esse que nos mostra tão destrutivos? Talvez a ideia de que ‘ele é diferente, pode me ameaçar’”, diz Lya Luft (Ilustração: BBC) Artigo publicado em edição impressa de VEJA O tema é espinhoso. Todos somos por ele atingidos de uma forma ou de outra, como autores ou como objetos dele. O preconceito nasce do medo, sua raiz cultural, psíquica, antropológica está nos tempos mais primitivos – por isso é uma postura primitiva -, em que todo diferente era um provável inimigo. Precisávamos atacar antes que ele nos destruísse. Assim, se de um lado aniquilava, de outro esse medo nos protegia – a perpetuação da espécie era o impulso primeiro. Hoje, quando de trogloditas passamos a ditos civilizados, o medo se revela no preconceito e continua atacando, mas não para nossa sobrevivência natural; para expressar nossa inferioridade assustada, vestida de arrogância. Que mata sob muitas formas, em guerras frequentes, por questões de raça, crença e outras, e na agr…

Ignorância e preconceito - Lya Luft

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Ponto de vista "Se permitirmos que o preconceito nos
domine, seremos em breve o mais atrasado
no círculo dos povos atrasados"
"Minha colega disse que avó não namora!", comentou Tatinha. Lilibeth, a avó, riu, tirando os óculos como se assim pudesse rir melhor: "Mas que maluquice, filhota!", disse. "Sua colega deve ter ouvido isso dos adultos, que falam muita bobagem mesmo. Isso é preconceito!"
Tatinha arregalou os olhos: "O que é preconceito, vovó?". "Preconceito é uma doença. Não do corpo, mas da alma. As pessoas com essa doença pensam tudo torto, enxergam errado. Por exemplo, acham que criança não sabe nada, que velho não pode mais ser feliz, que só os moços e bonitos amam, que a gente deve desconfiar de pessoas diferentes, que todos os pobres são perigosos e todos os ricos são maus, essas coisas."
Meu livro infantil A Volta da Bruxa Boa, a sair nestes dias pela editora Record, fala de assuntos que hoje fazem parte da vida de uma cr…

É possível educar sem palmada?

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Cartilha lançada no Dia Mundial Contra a Agressão Infantil afirma que sim




Aprovada no mês passado pela Câmara, a Lei Menino Bernardo proíbe a aplicação de castigos físicos a crianças e adolescentes e segue hoje para análise do Senado      O raciocínio é simples. Digamos que algum parente ou o seu melhor amigo derramasse uma taça de vinho na toalha branquinha que você escolheu para estrear naquele almoço especial. Você gritaria ou bateria em algum deles? Agora suponhamos que um ou outro não comesse todo o alimento que eles próprios colocaram no prato. Você insistiria, tentaria forçar a comida goela abaixo, perderia e paciência
e se exaltaria? E se algum deles começasse a chorar?
Sua reação seria tentar entender o motivo ou simplesmente ignorar a reação?

Órfãos de Pais Vivos - Gilberto Dimenstein

A violência contra os índios não é a constatação mais importante a ser extraída do assassinato de Galdino Jesus dos Santos –os cinco jovens talvez nem sequer soubessem quem estavam incendiando.      Numa tendência ainda desconhecida pela sociedade brasileira, acostumada a relacionar violência com pobreza, os registros delegacias policiais revelam crescimento nos atos de selvageria cometidos por adolescentes abastados.      Segundo a Polícia Militar de São Paulo aumentaram 300%, nos últimos dois anos, as brigas envolvendo jovens nas regiões ricas da cidade. A tendência é confirmada nas Varas da Infância.      No Rio de Janeiro, informa o chefe da Polícia Civil, Hélio Luz, são realizadas cada vez mais buscas em universidades em busca de delinqüentes.      Estamos, diante de uma doença contemporânea nas classes média e alta, mas antiga entre os pobres: o orfandade de pais vivos.      Psicólogos americanos têm procurado entender fenômeno semelhante nos EUA. Acusam os pais de serem tão ou m…

Apenas três meses até o ENEM

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ENEM 2014

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Livres, leves e soltos?
Hora de retomar o ritmo, animadíssimos. Afinal, falta um pouco mais de 3 meses.
Bom humor, assim como Português, é fundamental!

Interpretação, literatura, atualidades, linguagens: Fernando Santana 8874-9419.
Redação: Melânia 9988-9610

Grupos:
Quinta, das 18h30 às 22h
Sexta, das 14h às 17h30
Sábado, das 8h30 às 12h.

Assista a uma aula e conversaremos.
Facebook: https://www.facebook.com/groups/enem.vestibulares/

A Pátria de Chuteiras (e amarras...)

Desde a derrota na copa, tinha prometido a mim mesmo que deixaria de dar importância aos jogos da seleção. Mas estava chegando ao Brasil, e o assunto era um só: o gol de Ronaldinho contra a Venezuela. Vi uns 15 replays daquela obra de arte e até agora tenho a impressão de que tudo não passou de mera armação para que o Armando Nogueira pudesse desfiar mais um poema sobre a bola.
  Ainda peguei mais alguns jogos da copa América, sempre vistos com o volume baixo, para não ter de ouvir os delírios do Galvão Bueno (que, além de narrador, é médium: prevê, antes de os jogos começarem, que eles serão um sofrimento - pois, ainda segundo o expert Galvão, a alma brasileira é assim mesmo, sofrida, chorada). Tudo legal, bonito, mas não havia ali nenhum time realmente forte. O desbunde veio mesmo com a goleada de 4 a 0 contra a Alemanha.   Porque jogar contra a Alemanha não é uma partida de futebol, é um confronto de mentalidades. Do lado germânico, a mecânica aplicada, a ênfase na tática, a marcação…

Português na Empresa: erros prejudicam carreira

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100 erros de português  frequentes no mundo corporativo De A a Z, confira os erros de português mais frequentes no universo corporativo, segundo especialistas consultados por EXAME.comEspecialistas advertem: tropeçar no português pode prejudicar a sua carreira. Mas é certo também que há erros que saltam aos olhos e há aqueles que quase passam despercebidos.A lista de equívocos frequentes no mundo corporativo é grande e é bem provável que você já tenha cometido alguns deles. Para chegar aos 100 erros, EXAME.com consultou professores de português e também o livro de Laurinda Grion “Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer)”, da editora Saraiva. De A a Z, confira os tropeços mais comuns e as dicas para nunca mais errar.

Professores afetam alunos - Rita Pierson

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"Toda criança precisa de um campeão!"



Certa vez, uma colega disse a Rita Pierson: "Não sou paga para gostar das crianças; sou paga para dar a matéria!" Rita respondeu: "Crianças não aprendem com quem não gosta delas!" E acrescentou: "Professora, seu ano vai ser duro e longo!"
                         TEDtalks https://www.youtube.com/watch?v=SFnMTHhKdkw